Vivemos
uma época privilegiada. Nunca houve tanta facilidade para estudar as
Escrituras. Livros, comentários bíblicos, seminários, cursos presenciais e
on-line, I.A, além de uma infinidade de conteúdos nas redes sociais, colocam
diante do cristão oportunidades que gerações anteriores jamais tiveram.
Isso
deve ser motivo para sermos mais gratos a Deus.
O
Senhor nunca pretendeu que seu povo permanecesse na ignorância. Pelo contrário,
ELE deseja que cresçamos no conhecimento da Sua Palavra. O apóstolo Pedro
exorta: "Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.
Amém." (2ª Pedro 3:18).
O
próprio Senhor Jesus declarou aos saduceus: "Errais, não conhecendo as
Escrituras nem o poder de Deus." (Mateus
22:29).
A
igreja que é de Jesus necessita de homens e mulheres comprometidos com a boa
doutrina, capazes de manejar corretamente a Palavra da verdade (2ª Timóteo 2:15). A teologia é uma
bênção quando nos conduz a conhecer melhor a Deus, quando fortalece nossa fé e
nos capacita a servir ao próximo.
Entretanto,
aquilo que deveria produzir maturidade pode, quando encontra um coração
dominado pela carne, produzir exatamente o contrário.
O
maior perigo da teologia não é o conhecimento em si, mas o orgulho que pode
nascer dele.
Paulo
fez um alerta que jamais deve ser ignorado: "Quanto aos alimentos
sacrificados aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento
traz orgulho, mas o amor edifica." (1ª
Coríntios 8:1).
Percebam
que Paulo não está a condenar o conhecimento. O problema não está em conhecer,
mas em permitir que o conhecimento alimente o ego.
Infelizmente
existem irmãos que, depois de estudarem um pouco mais, passam a olhar os demais
de cima para baixo. Tornam-se impacientes. Transformam conversas em debates,
púlpitos em salas de aula e a comunhão em disputas doutrinárias.
Pouco
a pouco, deixam de demonstrar a mansidão de Cristo para exibir a própria
erudição.
Esse
comportamento revela uma triste realidade: a teologia entrou na mente, mas não
desceu ao coração. O verdadeiro conhecimento produz humildade
Toda
vez que alguém, nas Escrituras, contemplou verdadeiramente a grandeza de Deus,
a reação nunca foi de exaltação pessoal.
Quando
Isaías comtemplou a grandeza de Deus veja o que ele declarou: "Então disse
eu: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no
meio de um povo de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos
Exércitos!" (Isaías 6:5).
Quanto
mais conhecemos a Deus, menos razões encontramos para nos vangloriar. A intimidade com Deus nunca produz
arrogância; produz reverência, humildade e quebrantamento.
Ninguém
conheceu o Pai como Jesus. Entretanto, aquele que possuía todo o conhecimento
fez algo impensável para um mestre de sua época: ajoelhou-se para lavar os pés
dos discípulos. Depois lhes disse: "Porque eu vos dei o exemplo, para que,
como eu vos fiz, façais vós também." (João
13:15).
Jesus
nos ensina que o verdadeiro conhecimento nos coloca aos pés dos nossos irmãos
para servi-los.
Quanto
mais parecidos com Cristo nos tornamos, menos necessidade temos de provar que
sabemos.
Os
homens mais instruídos nas Escrituras, nos dias de Jesus, eram os fariseus e talvez
fossem justamente aqueles que menos conheciam a Deus.
Eles
sabiam citar a Lei, conheciam as profecias, dominavam a tradição, mas seus corações
estavam ensoberbecidos.
Jesus
lhes disse: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida
eterna, e são elas mesmas que testificam de mim; contudo, não quereis vir a mim
para terdes vida." (João 5:39-40).
Meus
irmãos e irmãs! É possível conhecer profundamente a Bíblia e, ao mesmo tempo,
permanecer distante do Deus da Bíblia.
Os
fariseus possuíam ortodoxia sem humildade, doutrina sem amor, conhecimento sem
transformação.
O
maior teólogo do Novo Testamento jamais se considerou grande. Se alguém poderia
vangloriar-se de seu conhecimento, esse alguém era Paulo.
Paulo
foi educado aos pés de Gamaliel, profundo conhecedor das Escrituras e autor de
grande parte do Novo Testamento, e ainda assim escreveu: "Porque eu sou o
menor dos apóstolos e nem mesmo sou digno de ser chamado apóstolo, pois
persegui a igreja de Deus." (1ª Coríntios
15:9).
Paulo
já perto do fim da vida, afirmou: "Fiel é a palavra e digna de toda
aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais
eu sou o principal." (1ª Timóteo
1:15).
Quanto
maior era o conhecimento que Paulo tinha da graça, menor era o conceito que ele
tinha de si mesmo. O conhecimento sem amor vale absolutamente nada
Paulo
escreveu naquele que talvez seja o maior texto da Bíblia sobre o amor:
"Ainda
que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o
bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de
profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha
tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E
ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue
o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me
aproveitará." (1ª Coríntios 13:1-3).
Note
a força dessas palavras.
Paulo
não diz que quem possui muito conhecimento sem amor é "menos espiritual". Ele diz: "nada serei".
Toda
a erudição perde seu valor quando não é acompanhada por um coração semelhante
ao de Jesus Cristo. A verdadeira teologia produz amor!
Quando
o conhecimento adquirido no estudo da teologia produz vaidade, deixou de
cumprir seu propósito.
Conclusão
A
igreja precisa de homens e mulheres que estudem profundamente as Escrituras.
Precisamos
de boa teologia, precisamos de sólida doutrina, precisamos de mestres fiéis - Mas
acima de tudo - precisamos de servos semelhantes a Cristo.
A
teologia que vem de Deus não produz discípulos orgulhosos; produz discípulos
humildes. Não cria uma elite espiritual, mas servos que edificam a igreja.
O
conhecimento é indispensável e a humildade é inegociável.
Que
jamais permitamos que a teologia, cujo propósito é nos aproximar de Cristo,
torne-se um instrumento para nos afastar dos irmãos.
Que
nossa oração seja a de João Batista: "Convém que ele cresça e que eu
diminua." (João 3:30).
Porque,
no Reino de Deus, não é o cristão que mais tem conhecimento, que mais vai glorificar
a Deus, mas aquele que, conhecendo profundamente a verdade, vive com a
humildade daquele que aprendeu aos pés do Mestre.
A
Deus somente seja a glória!
RmC/MdC


