terça-feira, 4 de agosto de 2026

O PERIGO DE UMA TEOLOGIA SEM HUMILDADE

 

Vivemos uma época privilegiada. Nunca houve tanta facilidade para estudar as Escrituras. Livros, comentários bíblicos, seminários, cursos presenciais e on-line, I.A, além de uma infinidade de conteúdos nas redes sociais, colocam diante do cristão oportunidades que gerações anteriores jamais tiveram.

Isso deve ser motivo para sermos mais gratos a Deus.

O Senhor nunca pretendeu que seu povo permanecesse na ignorância. Pelo contrário, ELE deseja que cresçamos no conhecimento da Sua Palavra. O apóstolo Pedro exorta: "Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno. Amém." (2ª Pedro 3:18).

O próprio Senhor Jesus declarou aos saduceus: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus." (Mateus 22:29).

 

A igreja que é de Jesus necessita de homens e mulheres comprometidos com a boa doutrina, capazes de manejar corretamente a Palavra da verdade (2ª Timóteo 2:15). A teologia é uma bênção quando nos conduz a conhecer melhor a Deus, quando fortalece nossa fé e nos capacita a servir ao próximo.

Entretanto, aquilo que deveria produzir maturidade pode, quando encontra um coração dominado pela carne, produzir exatamente o contrário.

O maior perigo da teologia não é o conhecimento em si, mas o orgulho que pode nascer dele.

Paulo fez um alerta que jamais deve ser ignorado: "Quanto aos alimentos sacrificados aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica." (1ª Coríntios 8:1).

Percebam que Paulo não está a condenar o conhecimento. O problema não está em conhecer, mas em permitir que o conhecimento alimente o ego.

 

Infelizmente existem irmãos que, depois de estudarem um pouco mais, passam a olhar os demais de cima para baixo. Tornam-se impacientes. Transformam conversas em debates, púlpitos em salas de aula e a comunhão em disputas doutrinárias.

Pouco a pouco, deixam de demonstrar a mansidão de Cristo para exibir a própria erudição.

Esse comportamento revela uma triste realidade: a teologia entrou na mente, mas não desceu ao coração. O verdadeiro conhecimento produz humildade

 

Toda vez que alguém, nas Escrituras, contemplou verdadeiramente a grandeza de Deus, a reação nunca foi de exaltação pessoal.

Quando Isaías comtemplou a grandeza de Deus veja o que ele declarou: "Então disse eu: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!" (Isaías 6:5).

Quanto mais conhecemos a Deus, menos razões encontramos para nos vangloriar. A intimidade com Deus nunca produz arrogância; produz reverência, humildade e quebrantamento.

Ninguém conheceu o Pai como Jesus. Entretanto, aquele que possuía todo o conhecimento fez algo impensável para um mestre de sua época: ajoelhou-se para lavar os pés dos discípulos. Depois lhes disse: "Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também." (João 13:15).

Jesus nos ensina que o verdadeiro conhecimento nos coloca aos pés dos nossos irmãos para servi-los.

Quanto mais parecidos com Cristo nos tornamos, menos necessidade temos de provar que sabemos.

 

Os homens mais instruídos nas Escrituras, nos dias de Jesus, eram os fariseus e talvez fossem justamente aqueles que menos conheciam a Deus.

Eles sabiam citar a Lei, conheciam as profecias, dominavam a tradição, mas seus corações estavam ensoberbecidos.

Jesus lhes disse: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim; contudo, não quereis vir a mim para terdes vida." (João 5:39-40).

 

Meus irmãos e irmãs! É possível conhecer profundamente a Bíblia e, ao mesmo tempo, permanecer distante do Deus da Bíblia.

Os fariseus possuíam ortodoxia sem humildade, doutrina sem amor, conhecimento sem transformação.

 

O maior teólogo do Novo Testamento jamais se considerou grande. Se alguém poderia vangloriar-se de seu conhecimento, esse alguém era Paulo.

Paulo foi educado aos pés de Gamaliel, profundo conhecedor das Escrituras e autor de grande parte do Novo Testamento, e ainda assim escreveu: "Porque eu sou o menor dos apóstolos e nem mesmo sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus." (1ª Coríntios 15:9).

Paulo já perto do fim da vida, afirmou: "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal." (1ª Timóteo 1:15).

Quanto maior era o conhecimento que Paulo tinha da graça, menor era o conceito que ele tinha de si mesmo. O conhecimento sem amor vale absolutamente nada

 

Paulo escreveu naquele que talvez seja o maior texto da Bíblia sobre o amor:

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará." (1ª Coríntios 13:1-3).

Note a força dessas palavras.

Paulo não diz que quem possui muito conhecimento sem amor é "menos espiritual". Ele diz: "nada serei".

Toda a erudição perde seu valor quando não é acompanhada por um coração semelhante ao de Jesus Cristo. A verdadeira teologia produz amor!

Quando o conhecimento adquirido no estudo da teologia produz vaidade, deixou de cumprir seu propósito.

Conclusão

A igreja precisa de homens e mulheres que estudem profundamente as Escrituras.

 

Precisamos de boa teologia, precisamos de sólida doutrina, precisamos de mestres fiéis - Mas acima de tudo - precisamos de servos semelhantes a Cristo.

A teologia que vem de Deus não produz discípulos orgulhosos; produz discípulos humildes. Não cria uma elite espiritual, mas servos que edificam a igreja.

O conhecimento é indispensável e a humildade é inegociável.

Que jamais permitamos que a teologia, cujo propósito é nos aproximar de Cristo, torne-se um instrumento para nos afastar dos irmãos.

Que nossa oração seja a de João Batista: "Convém que ele cresça e que eu diminua." (João 3:30).

Porque, no Reino de Deus, não é o cristão que mais tem conhecimento, que mais vai glorificar a Deus, mas aquele que, conhecendo profundamente a verdade, vive com a humildade daquele que aprendeu aos pés do Mestre.

A Deus somente seja a glória!

RmC/MdC


Nenhum comentário:

Postar um comentário