terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

SOBRE A IGREJA DO SENHOR JESUS E OS LIDERES NOS DIAS ATUAIS




Neemias 6:3 “Por isso enviei-lhes mensageiros com esta resposta: "Estou executando um grande projeto e não posso descer. Por que parar a obra para ir encontrar-me com vocês? "
Esse verso nos sugere a possibilidade de refletirmos de forma profunda e ao mesmo tempo oportuna sobre o momento eclesiástico da Igreja na atualidade.  O contexto histórico em que está inserido as palavras de Neemias apresenta elementos suficientes para perceber a grandeza do caráter dele como líder do povo de Deus, em razão das circunstâncias humilhantes que o povo estava a passar.
Havia da parte de Neemias algumas características que pretendo destacar:
1ª EMPENHO – Havia por parte desse Líder uma grande disposição; um extremo interesse pela obra do Senhor. Ele compreendia o tamanho da responsabilidade que era liderar. Daí a razão de seu empenho.  
2ª SACRIFICIO PESSOAL – A palavra de Deus afirma que naquele tempo Neemias era copeiro do Rei (Ne 1:11). Ele não era qualquer empregado, ele era o copeiro, o homem que experimentava a bebida do rei para protegê-lo de ser envenenado. Para ter tal posição, ele deve ter trabalhado muito.
Neemias se dispôs a abrir mão de tão elevada posição e por que não dizer abrir mão do status, de copeiro do rei, para se empenhar na realização do propósito de Deus,
Assim era um líder do povo de Deus no passado e sem dúvida é o que Deus espera daqueles que se dizem vocacionados à liderança: Empenho e Sacrifício Pessoal. Neemias agiu assim na restauração moral, material e espiritual do Seu povo. Deixou seu emprego,deixou tudo e se empenhou com dedicação exclusiva.
CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE NEEMIAS DEIXOU TUDO
Neemias fez tudo isto em meio a muitas adversidades:
1º A oposição era ferrenha e vinha de todos os lados, não só dos inimigos declarados (porém intentavam fazer-me mal, (Ne.6:2), 
2º A oposição vinha também de seus compatriotas, que não compreendiam os propósitos de Deus para o seu próprio benefício, nem o modo como Deus estava a atuar por meio do fiel instrumento chamado Neemias.
Neemias fez uma solene declaração: “Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer”. Essa declaração foi feita quando de maneira ardilosa foi instigado a abandonar o projeto de Deus, em que estava envolvido, com os seus poucos, PORÉM, fiéis companheiros, e que visava à restauração material, moral e espiritual do Seu povo.
O diabólico trio Gesém, Sambalá e Tobias destilavam seus ardis! Achavam que o grupo liderado por Neemias era fraco, não tinham recursos para levar a bom termo um empreendimento de tamanha envergadura.
Os argumentos pareciam lógicos e razoáveis, mas não tinham qualquer fundamento e não deveriam prevalecer. O critério de avaliação que faziam baseava-se, apenas, na perspectiva do homem. Não consideravam as possibilidades divinas com que Neemias e o seu grupo contavam.
A P.D ensina que o critério de Deus foge a lógica humana: “Deus escolheu as coisas loucas de mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" (1Co.1:27). Paulo, ainda, ensina, com a força da sua experiência de dor e sofrimento: "Mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo... Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co.12:9-10).
Deus não muda os Seus projetos, ainda que nos pareçam inviáveis. Não é razoável querer “dar uma ajudinha” a instrumentalidade que Deus estabeleceu para realizar o que se propôs fazer.  Neemias manifestou essa certeza em três aspectos. Veja o que ele disse:
·      ESTOU FAZENDO”. Estava envolvido por Deus no que fazia e fazendo da maneira como Deus queria. Neemias não era um líder que comparecia somente aos domingos pela manhã e a noite ou simplesmente mandava ordens, ELE ESTAVA FAZENDO. É isso o que importava.
·      GRANDE OBRA. Ele tinha convicção da grandeza da obra em que estava envolvido. Não grande no sentido quantitativo, mas grandeza no caráter da obra, apesar do conceito diferente que os seus opositores tinham.
·      NÃO DESCEREI”. Neemias tinha convicção de que não devia aceitar alternativa para chegar ao bom resultado, em razão das opiniões negativas dos seus opositores a respeito do que fazia e do modo como fazia. Nada podia dissuadi-lo.
Manteve a identificação necessária com DEUS e com o MODELO de trabalho. Recusou o que chamavam de “auxilio” ou “ajuda” externa.
Devemos, assim como o líder Neemias, sermos cuidadosos para não aceitar propostas para a realização da obra do Senhor que não o MODELO por ELE deixado em sua palavra. Não devemos descer, nunca, saindo do MODELO do Senhor. Devemos valorizar a igreja, que é o meio deixado pelo Senhor para a Sua grande obra, desde o seu início. Esse aspecto da convicção de Neemias PRESERVAVA A SUA IDENTIDADE DE LIDER SEGUNDO A PERSPECTIVA DIVINA.
O versículo em questão ilustra a realidade da Igreja dos nossos dias! Podemos perceber que a Igreja, que é o único projeto de Deus para a realização do Seu propósito no mundo, está se afastando de Deus e da bíblia, está perdendo a perspectiva correta do MODELO deixado por Deus em sua palavra e, conseqüentemente, a sua IDENTIDADE.
A igreja e sua liderança, assim como Neemias, não precisam de outros meios e formatos, como alternativas de “auxílio” ao sublime e eficaz ministério designado por Deus.
A Igreja não é uma organização humana, mas um organismo espiritual. Não é uma formulação societária burocrática secular, mesmo que denominada “sociedade religiosa sem fins lucrativos”, mas é uma instituição de Deus!
Desde que as alternativas humanas começaram a infiltrar-se no seio da igreja, o trabalho espiritual foi deturpado, tendo como conseqüência sérios desvios da Verdade e a Obra do Senhor extremamente prejudicada.
O MODELO de Deus para o exercício de seu ministério aqui na terra continua sendo a Igreja. Deus não tem alternativo, não porque que ELE seja limitado, mas porque assim determinou que fosse:
■ Jesus afirmou que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja (Mt.16:18). 
■ É o senhor quem edifica e usa a igreja. 
■ O Espírito Santo continua sendo o Vigário da igreja, atuando, com poder, através dos seus membros, suprindo-os, com os dons para o exercício do seu ministério. 
■ Cristo é o Cabeça da Igreja. 
■ A Palavra de Deus é a sua “regra de fé e prática”, que orienta e capacita.
■ O governo da igreja ainda é através do Presbitério, pluralista, constituído pelo Espírito Santo e reconhecido pela própria Igreja (At.20:28; 1Tm.3:1-7; Tt.1:5-9; 1Pe.5:1-4).

De que mais a Igreja e os lideres constituídos por Deus precisa para cumprir a sua vocação celestial?
De FIDELIDADE! Que a igreja de nossos dias, bem como o verdadeiro líder possa como Neemias apresentar as alternativas: “Não poderei descer”. Sim, que não desçam um degrau sequer, da posição e atuação validadas pelo Senhor Jesus que não se distraiam nem se desviem dos alvos do Senhor.
A Deus somente seja a glória.
Adaptado por Roney Miguel
MdC

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Dirigindo o culto cristão


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“sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” Hebreus 12.28

Aquele que dirige um culto cristão precisa ter em mente que o Culto é para Deus. É de suma importância ter consciência que a centralidade do Culto cristão está na Pessoa de Jesus Cristo o autor de nossa salvação. Foi o sacrifício dEle que nos permitiu termos livre acesso ao Pai e não as nossas vontades e desejos. Diante disto, um culto cristão deve ser conduzido com excelência, entregando para Deus o melhor. Todo o dirigente do culto numa congregação deve estar convicto de que dirigir é um ministério, um serviço e que todo serviço para Deus deve ser conduzido de modo agradável, com reverencia e santo temor, como nos ensina o escritor aos Hebreus. O apostolo Paulo também nos adverte que tudo quanto fizermos para Deus deve ser feito “... com ordem e decência” I Co 14:40.
Não pretendemos aqui exaurir todos os ensinos e conselhos que diz respeito à boa condução de um culto cristão, mas sim, a luz da palavra de Deus apresentar o que podemos chamar de “bons conselhos”

Preparação antes do culto

1.A responsabilidade do dirigente é tornar alegre e solene o momento dos cânticos, para preparar a congregação e levá-la a um espírito pronto para a mensagem.
2. É necessário, portanto que o dirigente do culto se prepare em oração tanto como o pregador. Gaste tempo em oração.
3. Escolha cânticos que sejam adequados para cada culto que irá acontecer.
4.Escolher os cânticos com antecedência é de suma importância e demonstra para o público que você é organizado e não faz a obra do Sr. relaxadamente. Não fique procurando o que cantar diante da congregação.
5.Faz-se necessário ensaiar os louvores com antecedência, a fim de encontrar o tom a ser cantado, de modo a não tornar para a congregação, o ato de louvar em algo insuportável.
6.O Dirigente do culto, bem como qualquer um que vá a frente da congregação, deve estar bem penteado e com a roupa em ordem e limpa. (A limpeza do corpo vem logo após a salvação da alma.)

Regendo a congregação

1.Ao subir ao púlpito, faça-o com firmeza, com confiança, para não tropeçar, e sem acanhamento.
2.Se, quando cantamos, a congregação vai à sua frente ou se conduz o cântico ao gosto dela, você é inútil como dirigente e tudo pode se descontrolar.
3.Procure ser agradável e educado, porém com autoridade (nunca autoritário).
4. Controle o nervosismo, não pense em si mesmo, nem chame a atenção do público para sua pessoa. Afinal o momento do culto não é um show.
5.Tenha boa postura, não deite sobre o púlpito.
6. Não se curve; olhe a congregação; abra os olhos para manter a atenção.
7.Esforce-se para que todos cooperem nos cânticos, então estarão prontos para a mensagem.
8.Anuncie o número do hino com clareza ou o nome do louvor a ser cantado.
9.É interessante dizer: “Vamos cantar o hino número.. .” Não cantamos páginas, e, sim, hinos. Ou dizer: “Vamos cantar o cântico que tem por título ...” Assim se ganha a atenção da congregação.
10.É bom e importante anunciar o número ou o nome do cântico uma segunda vez.
11.Quando quiser que a congregação se ponha em pé, faça um gesto com as mãos para cima para indicá-lo.
12.Diga sempre à congregação quando deve levantar-se ou sentar-se. Há situações em que depois de um cântico o dirigente não avisa que a congregação deve sentar-se e fica metade da congregação em pé, aguardando um comando de quem dirige, enquanto o restante da igreja vai se sentando as prestações. LEMBRE-SE: Não é necessário fazer a congregação levantar-se para cada hino ou cântico. Alguns irmãos podem estar cansados do trabalho, pela idade ou até mesmo por problemas de saúde e não necessitam dessa “ginástica santa”.

Regendo o hino

1.Não esconda o rosto com as mãos ou com o microfone quando estiver regendo a congregação. A igreja precisa saber para onde você está indo na condução do louvor.
2.Mova a mão livremente e mantenha a posição.
3.Faça os movimentos da mão de maneira natural, não com a mão rígida, nem com os dedos inflexíveis. Não faça gestos com as mãos que possam parecer obsceno.
4.Para reger o coro pode-se indicar cada tempo, porém para reger uma congrega­ção não é muito importante.
5.Pode-se usar ambas as mãos.
6.Não seja exagerado com os movimentos para não chamar atenção sobre você mesmo. Afinal você não é uma “estrela” e o culto não é um “show”

CONCLUINDO

Claro que este estudo está muito simplificado e não tratou de todos os aspectos que envolvem a direção de um culto a Deus. Porém, se você tomar ciência de tudo o que este trabalho abrange, tem uma boa base para dirigir qualquer culto, quer seja no templo, em casa num aniversário ou até mesmo num culto fúnebre.
O momento de louvor no culto cristão é um momento exclusivamente para Deus. O sentido é mais importante do que a execução, por isso você deve orar e pedir para que Deus lhe toque o coração para que ao dirigir uma congregação no momento do louvor, tudo que vier a acontecer ali seja de fato, agradável a Ele. /
Use tudo o que aprendeu!
A Deus somente seja toda a glória
MdC


domingo, 14 de janeiro de 2018

SACERDÓCIO UNIVERSAL DO CRENTE


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SACERDÓCIO UNIVERSAL DO CRENTE

Lemos que no AT a Lei de Moisés separou a tribo de Levi e a família de Arão para serem os sacerdotes da Nação. Estes homens usavam vestes diferentes, tinham privilégios especiais e constituíam uma casta a parte, entre Deus e a congregação de Israel. Só eles podiam entrar no lugar santo e oferecer os sacrifícios prescritos pela Lei.
Quando voltamos nossa atenção para o Novo testamento descobrimos que no Cristianismo é tudo diferente. Lemos sobre o apóstolo Pedro ensinando que todos os crentes são sacerdotes do Deus altíssimo. Observe:
"Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (1ª Pedro 2:5).
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1ª Pedro 2:9).
Temos também João fazendo menção ao mesmo fato em (Ap 1:5-6)
"Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai; a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém".
Afirmar que existe outro tipo de sacerdócio ou defender uma classe distinta dentro da igreja do Senhor como sendo uma casta diferenciada para o sacerdócio, não tem base alguma na Palavra de Deus; Essa afirmação seria meramente humana e ou em tradições humanas.
O dever do sacerdote desde o tempo do A.T é oferecer sacrifícios. No Velho Testamento os sacrifícios consistiam em animais imolados, enquanto que na dispensação da igreja, os sacrifícios dos sacerdotes, que são todos os crentes em Cristo Jesus são:
* O sacrifício do seu corpo - (Rm. 12:1); não um sacrifício morto, mas "vivo, santo e agradável", oferecido exclusivamente a Deus.
* O sacrifício de seus bens materiais - "Não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus se agrada". (Hb. 13:16).
* O sacrifício de louvor - "Portanto, ofereçamos sempre por Ele, a Deus, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu Nome". (Hb. 13:15).
Estes sacrifícios podem ser oferecidos, individualmente ou coletivamente.
Quando olhamos para o modelo de sacerdócio praticado no meio cristão hoje em dia, parodiando um linguajar do meio futebolístico, o que vemos em sua maioria, é o mesmo jogador cobrando o escanteio e correndo pra dentro da área pra fazer o gol. Vemos cristãos sendo privados de liberdade na participação da adoração pública, privados da liberdade que a palavra de Deus dá para o exercício do sacerdócio universal.
Recentemente em visita a um ajuntamento cristão vi um denominado “pastor” fazendo a abertura do culto, tocando instrumento, dando avisos, fazendo orações, pregando, cantando e ainda correndo pra chegar a porta do templo pra saudar a todos pessoalmente; ou seja: cobrando o escanteio e correndo para fazer o gol.
Infelizmente o SACERDÓCIO UNIVERSAL DE TODO CRENTE foi eliminado e substituído pelos monótonos serviços regulamentados e orientados dos nossos dias, prática herdada do romanismo ou judaísmo, que resulta numa multidão de sacerdotes mudos, apenas ouvintes.
Os deveres e privilégios dos sacerdotes à luz da bíblia, incluem oração pública, o testemunho para glória de Deus, o cuidado do povo de Deus, a pregação pública da palavra de Deus, o ensino público etc. A palavra de Deus em (Rom. 8:14; Gál. 5:18; João 16:13), revela com muita clareza que todos esses deveres devem ser postos em prática o tempo todo, e não apenas aos domingos. Não se limitam aos ajuntamentos da Igreja, sejam reuniões de adoração, de estudo bíblico ou de oração, mas abrangem toda a vida do crente, tanto dentro como fora dos lugares das reuniões, sejam eles salões, capelas, templos como queiram denominar. De acordo com o Novo Testamento, todo o povo de Deus é: "um reino sacerdotal e uma nação santa", (Êxodo 19:6; 1 Pedro 2:5-9).
Embora todos sejamos sacerdotes, não podemos esquecer que cada crente precisa dum Sacerdote diante de Deus, MAS não um líder religioso ou eclesiástico que detém todo o poder e autoridade na condução do culto a Deus. Esta necessidade é plenamente suprida na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. O escritor aos Hebreus apresenta JESUS CRISTO como o nosso grande Sumo-Sacerdote, que se compadece das nossas fraquezas, porque em tudo foi tentado como nós, mas sem pecado. (Hb. 4:15).
Se de fato somos apegados a fiel palavra de Deus precisamos reconhecer o Senhor Jesus como nosso Grande Sumo-Sacerdote, um sacerdote santo e real. Será isto que encontramos na cristandade hoje em dia? Pelo contrário, a igreja, na sua maioria, voltou ao sistema romano-judaico de sacerdotes. Embora os crentes confessem crer no sacerdócio de todos os crentes, muitas “igrejas” criam um sacerdócio todo seu, fundamentados, não na palavra de Deus, mas nos seus regimentos, códigos de condutas, estatutos humanos etc, tornando assim:
a) Um grupo de homens escolhidos para o Serviço Divino; já há lugares em que nesse grupo de escolhidos tenha mulheres.
b) Uma hierarquia eclesiástica com títulos honoríficos que os distingue dos leigos. Títulos, muitas vezes, emprestados dos dons.
c) Vestes especiais para indicar que eles pertencem a uma casta diferenciada.
Deus ainda hoje conclama o Seu povo a separar-se destas práticas e se unirem simplesmente no Nome do Senhor Jesus em quem encontramos toda a suficiência.
Quando num ajuntamento verdadeiramente cristão todos atuam segundo o ensino bíblico do Novo Testamento, em relação ao sacerdócio universal, essa igreja será:
·                 Uma igreja cheia do Espírito, onde os seus membros participam regularmente das reuniões de oração;
·                 Uma igreja em que todos os membros são auxiliares práticos e colaboradores dos servos do Senhor na Sua Seara através do mundo;
·                 Haverá atitude e não ativismo na disseminação do Evangelho.
·                 Os membros de tal igreja serão constrangidos a viver num ambiente de amor, e não de disputas, no qual cada crente procura ajudar os outros em amor e num espírito de devotada consagração, estimulando-se uns aos outros ao amor e às boas obras.
Igrejas que se esforçam por agir de modo bíblico e escriturístico, no que tange ao sacerdócio universal, seus cultos, reuniões e serviços são dirigidos pelo Espírito Santo; e os dons distribuídos pelo próprio Senhor, desenvolvidos conforme a variedade da mesma, em comunhão fraternal e na dependência e liberdade de Cristo (1ª Cor. 12:4-l1; 14:26); a adoração sacerdotal subirá até ao Santuário celestial, que é o mais alto privilégio do sacerdócio da Igreja.

Fonte de pesquisa:
Bíblia sagrada,
Comentários de
William MacDonald
MdC

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

ROMANOS 9:6-18 Versículo a versículo

ROMANOS 9:6-18
Versículo a versículo


VERSO 6. Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas;

“a palavra de Deus” – Neste contexto esta frase se refere às promessas da aliança do VT. As promessas de Deus são firmes (Nm 23.19; Is 40.8; 55.11; 59.21).
“haja faltado”
ARC “não que haja faltado”
ARA “não pensemos que a palavra de Deus haja falhado”
NTLH “não estou dizendo que a palavra de Deus tenha falhado”
BV “as promessas... ficaram sem valor?”
BJ “não é que a palavra de Deus tenha falhado”
Esta expressão (ekpiptō) foi usada na Septuaginta diversas vezes para referir-se à falha de algo (Is6.13) ou de alguém (Is 14.12).
É um INDICATIVO ATIVO PERFEITO, o que denota um estado do ser que tem resultados duradouros (mas isso é negado).
“porque nem todos os que são de Israel são israelitas”

ARC “porque nem todos os que são de Israel são israelitas”
ARA “porque nem todos os que são de Israel são, de fato, israelitas”
NTLH “nem todos os israelitas fazem parte do povo de Deus”
BV “os que vêm a Ele. Estes são verdadeiramente o seu povo.”
BJ “porque nem todos os que descendem de Israel são Israel”
O significado desta declaração paradoxal mexe com os diferentes significados bíblicos do termo
“Israel”:
(1) Israel, significando os descendentes de Jacó (Gn 32.22-32);
(2) Israel, significando o povo
eleito de Deus;
(3) Israel como povo espiritual, significando a Igreja (Gl 6.16; 1 Pe 2.8,9; Ap 1.6), em comparação ao Israel natural (vv. 3-6). Nem mesmo os judeus se mantiveram justos diante de Deus com base apenas na sua linhagem (v. 7), mas sim baseados na sua fé (2.28-29; 4.1 segs.; Jo 8.31-59; Gl 3.7-9; 4.23). Foi o remanescente crente que recebeu as promessas de Deus e andou nelas pela fé (9.27; 11.5).
O verso 6 começa uma série de supostas objeções (9.14,19,30; 11.1), continuando o formato paulino das diatribes, que transmitem a verdade por meio de um suposto opositor:
(Ml 1.2,6,7 [duas vezes],
12,13;2.14,17 [duas vezes];
3.7,13,14).
VERSO 7. Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.

A segunda metade deste versículo é a citação de Gn 21.12. Nem todos os filhos de Abraão eram filhos do pacto e da promessa de Deus (Gn 12.1-3; 15.1-11; 17.1-21; 18.1-15; Gl 4.23). Isto mostra a distinção entre Ismael e Isaque, nos vv. 8-9, e entre Jacó e Esaú, nos vv. 10-11.
VERSO 8. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.

Aqui Paulo está usando o termo “carne” para referir-se à descendência nacional (1.3; 4.1; 9.3,5). Está contrastando os filhos naturais de Abraão (os judeus de 9.3) com os filhos espirituais de Abraão (filhos da promessa; aqueles que confiariam pela fé no Messias prometido de Deus). Este não é o mesmo contraste de 8.4-11, a humanidade caída contra a humanidade remida.
VERSO 9. Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho.

Esta é uma citação de Gênesis 18.10,14. A criança prometida (“a semente”) viria de Sara, por iniciativa de Deus e no futuro resultaria no nascimento do Messias. Isaque foi o cumprimento especial da promessa de Deus a Abraão em Gn 12.1-3, treze anos antes.
VERSO 10. E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai;

As esposas de Abraão, Isaque e Jacó eram estéreis. Não podiam engravidar. A incapacidade delas de ter filhos era um dos meios para Deus mostrar que Ele estava no controle do pacto e das promessas para a linhagem messiânica.
A outra forma é que a verdadeira linhagem messiânica nunca procede do filho mais velho dos patriarcas (como era esperado naquela cultura). A chave é a escolha de Deus (vv. 11-12).
VERSO 11-12. Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),12. Foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor.

Os versículos 11 e 12 formam uma sentença em grego e são um relato tirado de Gn 25.19-34.
Este exemplo é usado para provar que foi escolha de Deus (v. 16), E não:
(1) linhagem humana,
(2)mérito ou realizações humanas (v. 16).
Este é o coração do evangelho, o novo pacto (Jr 31.31-34; Ez 36.22-36). Contudo, precisa ser lembrado que a escolha de Deus não significou exclusão, mas inclusão!
O Messias viria de uma semente seleta, mas viria para todos (que exercessem fé, cf. capítulo 10 vai nos ensinar).
9.11 “propósito” – Este é um termo composto de pro mais tithēmi, que tem diversos sentidos.
1. Em Rm 3.25:
a. Estabelecido publicamente;
b. Dom propiciatório.
2. Planejado de antemão:
a. Por Paulo (Rm 1.13);
b. Por Deus (Ef 1.9).
A forma SUBSTANTIVA (prothesis), usada neste texto, significa “pré-estabelecer”:
1.Referindo-se ao pão da proposição no Templo (Mt 12.4; Mc 2.26; Lc 6.4);
2.Referindo-se ao propósito redentor predeterminado de Deus (Rm 8.28; 9.11; Ef 1.5,11; 3.10; 2Tm 1.9; 3.10).
Paulo usa diversos termos compostos com a preposição pro (antes), nos capítulos 8 e 9 de Romanos e em Efésios capítulo 1: OBSERVE:
1. proginōskō – conhecido previamente (Rm 8.29);
2. proorizō – designado de antemão (Rm 8.29; Ef 1.5,11,30; Ef 1.9);
3. prothesis – propósito predeterminado (Rm 9.11);
4. proetoimazō – prefaciado antecipadamente (Rm 9.23);
5. prolegō – dito previamente (Rm 9.29);
6. proelpizō – esperado antecipadamente (Ef 1.12).
O Verso 12 é uma citação da profecia de Gn 25.23 relativa a Esaú e Jacó e mostra que Rebeca e Jacó atuaram de acordo com a profecia, não por ganância pessoal, em enganar Isaque a respeito da bênção!
VERSO 13. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú.

“mas aborreci a Esaú” – Esta é uma citação de Ml 1.2-3. “Aborrecer” é uma expressão idiomática hebraica comparativa. Ela soa dura em nossa língua, mas compare Gn 29.31-33; Dt 21.15; Mt 10.37-38; Lc 14.26; e Jo 12.25. Os termos antropomórficos “amor” e “ódio” não estão descrevendo as emoções de Deus em relação a esses indivíduos, mas ao Seu comprometimento com a promessa e a linhagem messiânica.
Jacó era o filho da promessa, com base na profecia de Gn 25.23.
Esaú, em Ml 1.2-3, se referia à nação de Edom (os descendentes de Esaú).
VERSO 14. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.

Paulo usa freqüentemente esta forma de diatribe (3.5; 4.1; 6.1; 7.7; 8.31; 9.14,19,30).
“Que há injustiça da parte de Deus?” – Como Deus pode atribuir responsabilidade aos seres humanos, se a soberania de Deus é o fator decisivo (v. 19)?
Esse é o grande mistério da eleição. A chave para compreensão neste contexto é: Deus é livre para fazer o que quer com a humanidade (que é uma humanidade rebelde), CONTUDO a soberania de Deus é expressa em misericórdia (Ver nota no v. 15), não em poder ou brutalidade.
Também pode ser declarado que as escolhas soberanas de Deus não são baseadas no conhecimento prévio das futuras escolhas e ações humanas. Se fosse, as escolhas e ações e méritos individuais seriam a base final para a escolha de Deus (v. 16; 1 Pe 1.2).
Por trás dessa idéia está o tradicional ponto-de-vista dos judeus a respeito da prosperidade do justo (Dt 27-28; Jó e Sl 73). Mas Deus escolhe abençoar mesmo os indignos através da fé (não das obras). Deus sabe todas as coisas, mas escolheu limitar Sua escolha:
(1) em misericórdia e
(2) em promessa.
Há a necessidade de uma resposta humana, mas ela segue e finalmente confirma a escolha eletiva de Deus como transformadora de vida.
“De maneira nenhuma!” – Esta é uma FORMA OPTATIVA rara (em grego e em inglês), mas era
freqüentemente usada por Paulo para uma negação enfática, normalmente negando as objeções do seu oponente diatríbico (3.4,6,31; 6.2,15; 7.7,13; 11.1,11; ver também 1Co 6.15; Gl 2.17; 3.21; 6.14).
VERSO 15. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.

Esta é uma citação de Ex 33.19. Deus é livre para agir de acordo com Seus propósitos redentivos.
Mesmo Moisés não mereceu a bênção de Deus (Ex 33.20). A chave é que Suas escolhas são em misericórdia (vv. 16,18-23; 11.30,31,32).
VERSO 16. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.
“misericórdia” ainda vs 15 – Esta palavra (eleos) é usada na Septuaginta (LXX) para traduzir o termo especial hebraico hesed, que significava “lealdade firme, de aliança” (vv. 15,16,18,23; 11.30,31,32). A misericórdia e a eleição de Deus são plurais, coletivas (dos judeus [em Isaque], não dos árabes [em Ismael]; de Israel [Jacó], não de Edom [Esaú], mas dos crentes judeus e dos crentes gentios, cf. v. 24), bem como dos indivíduos.
Esta verdade é uma das chaves para descobrir o mistério da doutrina da predestinação (redenção universal). A outra chave no contexto dos capítulos 9 a 11 é o caráter imutável de Deus, a Sua misericórdia (9.15,16,18,23; 11.30,31,32), e não na atuação ou obras humanas. A misericórdia através da eleição terminará alcançando a todos os que crêem em Cristo, aquele que abre a porta da fé para todos (5.18-19).
VERSO 17-18 . Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.18. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.

O versículo 17 é uma citação de Ex 9.16; o versículo 18 é a conclusão obtida da referida citação.
Está registrado que Faraó endureceu o coração (Ex 8.15,32; 9.34). E está registrado também que
Deus endureceu o coração dele (Ex 4.21; 7.3; 9.12; 10.20,27; 11.10). Este exemplo é usado para mostrar a soberania de Deus
Temos no (v. 18) Paulo dizendo que Faraó é responsável por sua escolha. Deus usa a arrogância e obstinação pessoal do Faraó para cumprir a Sua vontade para Israel (v. 18).
Também note que o propósito das ações de Deus com Faraó foram redentivas e inclusivas na sua abrangência. A intenção delas era:
1. Mostrar o poder de Deus (contra os deuses egípcios);
2. Revelar Deus ao Egito e, por implicação, a toda a terra (v. 17).
O pensamento ocidental (americano) magnífica o indivíduo, mas o pensamento oriental focaliza a
necessidade de ver o aspecto coletivo. Deus usou Faraó para revelar a Si mesmo para um mundo necessitado e fará o mesmo com o Israel incrédulo (capítulo 11). Neste contexto, os direitos do indivíduo (ou de grupos pequenos) diminuem, à luz da necessidade coletiva. Vale lembrar os exemplos de tratamento pelo interesse coletivo maior, no VT:
1. Os primeiros filhos de Jó morreram depois da discussão de Deus com Satanás (Jó 1-2);
2. Os soldados de Israel morreram por causa do pecado de Acã (Js 7);
3. O primeiro filho de Davi com Batseba morreu por causa do pecado de Davi (2 Sm 12.15).
Todos somos afetados pelas escolhas e decisões de outros. Este aspecto corporativo pode ser visto no NT, em Rm 5.12-21.

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

NUNCA

Será que alguma vez você se deu conta, querido leitor, de que a mesma palavra que concede o mais doce consolo ao verdadeiro crente, extingue completamente qualquer raio de esperança para o incrédulo, e não lhe deixa coisa alguma além de trevas e total desespero? Esta palavra é a mesma que aparece no início deste artigo.

Para tornar isso mais claro, deixe-nos fazer duas perguntas que, provindas dos lábios do Senhor Jesus Cristo, são ambas respondidas por esta mesma palavra.

1. Pode alguém, homem ou mulher, que morre na incredulidade, ser, de algum modo, salvo ? Preste atenção para a solene resposta: NUNCA!

2. Pode alguém, que nasceu de novo do Espírito de Deus, ser, de algum modo, perdido? NUNCA!


Se esta palavra, pequena, porém de peso, não passasse de uma expressão de fraqueza humana, ela não teria maiores conseqüências. Por exemplo, o apóstolo Pedro a utilizou em duas ocasiões importantes em sua vida, mas fazendo assim demonstrava tão somente a sua absoluta fraqueza própria - "Ainda que todos se escandalizem em ti," - disse ele, - "eu nunca me escandalizarei" (Mt 26.33). E mesmo assim, o que se sucedeu? Acaso não foi ele tão veemente em negar seu Mestre como foi, poucas horas antes, veemente em garantir sua fidelidade?

Novamente, em João 13.8, nós o encontramos dizendo ao Senhor: "Nunca me lavarás os pés"; e, mesmo assim, no momento seguinte, encontrava-se extremamente desejoso de se sujeitar a até mesmo mais do que aquilo que seu bondoso Mestre havia proposto. Vemos, assim, que o "nunca" de Pedro provou ser fraco como água, e mostrou-se totalmente inútil diante da primeira prova a que foi submetido. Mas quem seria capaz de contradizer um 'nunca' dito por Deus? Quem poderá torcer o 'nunca' de Deus ao ponto de adaptá-lo aos limites da possibilidade humana? Ah! quem se atreve a tentar? Quem? No entanto, tem-se tentado fazê-lo e, o que é pior, professos seguidores de Cristo - pregadores e mestres - o têm feito por cega ignorância ou buscando proveito próprio. Quão profundamente solene é isso!

O FOGO QUE NUNCA SE APAGA

Mas voltemo-nos para a Palavra de Deus a fim de buscar nela a resposta que vem dEle para as questões que foram propostas. Marcos 9.43-48 vai diretamente à questão nº 1 e, embora por falta de espaço eu transcreva apenas um destes solenes versículos, gostaria de insistir com você para que lesse, lenta e atentamente, a passagem toda. O versículo 43 diz assim: "E, se a tua mão te escandalizar, corta-a: melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga". Agora, peço que preste bastante atenção nisto: não diz apenas que o fogo "não se apaga" (veja os versículos 44, 46 e 48), mas, como o Senhor repete também no versículo 45, ele "NUNCA se apaga".

E ainda assim, bem diante de uma expressão que não deixa a menor dúvida, o pobre e tolo homem (sábio em seu próprio conceito) procura, pela força do argumento humano, apagar aquele 'fogo'. Ele levianamente não leva a sério os solenes avisos do bondoso Salvador, e os toma como sendo vãs ameaças; ou então persuade sua alarmada consciência de que, se existe um inferno, este será apenas de duração limitada, e que, após alguns milhares de anos de punição, ele se acabará. Mas o que Deus disse de alguns que fizeram pouco de Seus benévolos avisos, nos dias de Jeremias, se aplica solenemente a esses pensadores modernos: Eles saberão "se subsistirá a minha palavra ou a sua" (Jr 44.28). Portanto considere bem isto: "NUNCA se apaga" é a imutável palavra do Senhor. Ela permanece registrada, da maneira como saiu dos lábios do justo Juiz e benigno Salvador. Ela permanece, e, assim como Deus é verdadeiro, ela permanecerá para sempre. Nem todas as maquinações e todo o poder de Satanás, nem tampouco todas as lágrimas de lamento do perdido, jamais servirão para apagar aquele fogo - nunca! NUNCA!

Querido leitor, se você ainda não está salvo, esteja precavido enquanto é tempo, antes que seja tarde demais; antes que você descubra, por si próprio, que quando o Senhor Jesus Cristo avisou os pecadores acerca do fogo que "nunca se apaga", Ele quis dizer exatamente o que disse! Lembre-se: depois não será possível corrigir o seu erro fatal. Afinal, por que você precisa perecer? Por que você cruelmente rejeita a mão estendida de misericórdia? Cristo continua a esperar à direita do Pai e, enquanto Ele assim espera, qualquer que desejar pode ir a Ele.

Milhares já se achegaram Ao Seu ferido lado; Boas-vindas ali encontraram, E ninguém foi desprezado.

Muitos, cobertos pelas mais negras marcas de seus crimes, se achegaram a Ele e foram lavados, em Seu precioso sangue, de toda mancha carmesim. Os mais endurecidos homens tiveram seus corações derretidos e conquistados por Seu poderoso amor. E por que você ainda assim deveria rejeitá-Lo? Suplique a Ele; prostre-se a Seus pés agora mesmo; e, oh!, que boas-vindas o pobre filho pródigo irá receber! Que braços de amor irão abraçá-lo! Seus pecados serão todos perdoados, e serão todos esquecidos também. "Todos os que nEle crêem receberão o perdão dos pecados" (At 10.43). Rogo a você uma vez mais que tenha cuidado para não tratar levianamente assuntos tão importantes.

Não resista ao Espírito Santo, Não espere nem mais uma hora; Pois Deus, que já esperou tanto, Pode encerrar a espera agora!

E então, uma longa eternidade em desespero naquele "fogo que nunca se apaga" será, com certeza, a sua porção. Que Deus possa, em rica misericórdia, salvá-lo de uma perdição aterradora.

AS OVELHAS QUE NUNCA PERECEM

Mas pode ser que algum crente, que esteja lendo estas páginas, possa estar pensando: "Embora eu possa crer, e realmente creia, que a palavra "nunca" responde à primeira pergunta, não posso aceitar tão prontamente que ela possa ser a resposta à segunda". Bem, então, baseado em que você a aceita como sendo a resposta à primeira pergunta? E por que você crê que a condenação é eterna; que o fogo do inferno nunca se apaga? Você concorda que quando o Filho de Deus disse "nunca", o assunto estava estabelecido para sempre? Certamente que sim. Quando quer que ele tenha falado, Ele estava simplesmente falando "as palavras de Deus"; portanto receber o Seu testemunho é reconhecer que Deus é verdadeiro (Jo 3.33,34).

Vamos nos voltar agora a outras palavras desse mesmo bendito Senhor - palavras que são igualmente claras e inequívocas em João 10.27-29: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai".

Pegue agora um lápis e escreva esta importante palavra com que temos nos ocupado em Marcos 9.43, e depois, abaixo dela, escreva a palavra encontrada em João 10.28, da seguinte maneira:

"Nunca" - Mc 9.43 "Nunca" - Jo 10.28

Olhe para elas e responda, honestamente, como estando diante dAquele que um dia as pronunciou, e diga qual delas você considera mais digna de crédito. Certamente ambas são igualmente verdadeiras, e portanto igualmente dignas de serem aceitas.

"Ah, sim", você dirá; "e eu acredito que as ovelhas de Cristo nunca hão de perecer, se..." Pare aí mesmo! Por que você não disse que o fogo "nunca se apaga, se..."? Ah, leitor, não existe "se" neste assunto! "NUNCA", em Marcos 9.43, e "NUNCA", em João 10.28, são, igualmente, as palavras do Filho de Deus, e devem subsistir juntas, ou juntas cairão. Eu disse que cairão? Mas não acontecerá: "A palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Is 40.8). "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mt 24.35). E ainda, no mesmo capítulo 10 de João, no versículo 35, nos é dito que "a Escritura não pode ser anulada". "Toda a palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso" (Pv 30.5,6).

Seremos sábios se não discutirmos acerca da Sua Palavra; não acrescentarmos ou tirarmos dela qualquer coisa para adaptá-la às nossas próprias idéias, mas sim a recebermos por simples fé, e repousar nela a nossa alma.

QUEM SÃO AS OVELHAS?

Mas alguém poderá perguntar: "Quem são as ovelhas de Cristo?" Bem, todo verdadeiro crente é uma "ovelha". O Senhor disse aos judeus incrédulos daqueles dias: "Não sois das minhas ovelhas" (Jo 10.26). Porém, se o verdadeiro crente é uma ovelha de Cristo, e se o Grande e Bom Pastor nos deu a Sua palavra que nenhuma das Suas ovelhas perecerá, por que não honrar a Sua bendita palavra, e receber o conforto que Ele deseja que você tenha em sua alma temerosa?

Porém pode haver quem ainda conteste isto dizendo: "Porventura não pode acontecer que algumas dessas ovelhas venham depois a se tornar muito más, e caiam profundamente em triste pecado?" Não temos dúvida de que isso possa ocorrer. Mas há uma outra questão que pode ser de auxílio para nós se a considerarmos primeiro, ou seja: Acaso o Pastor, que pronunciou tais palavras de segurança acerca de Suas ovelhas, não sabia naquele momento que as pronunciou, como cada uma dessas mesmas ovelhas iria se portar? Com toda a certeza Ele sabia. Este mesmo capítulo é testemunha disso no versículo 15. Quando Ele diz "Dou a minha vida pelas ovelhas", será que Ele estava pensando somente em Seus discípulos de então? Veja o versículo seguinte: "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco (i.e., o aprisco judeu); a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um Pastor" (Jo 10.16 - Versão Almeida Revisada). "Me importa conduzir". Por que este "importa"? Ah! existe, nesta pequena palavra, a benévola compulsão do Seu próprio amor; assim como havia uma necessidade justa, em razão da santidade de Deus e de nossa culpa, na mesma palavra dita a Nicodemos: "Importa que o Filho do homem seja levantado" (Jo 3.14). Oh, que Salvador Ele é!

Portanto, não há dúvida de que naquele momento Ele tinha em mente todo o Seu rebanho. E, permita-me perguntar, iria Ele morrer por eles sem conhecer os seus pecados de antemão? Mas mesmo assim, tanto de Pedro como dos outros, Ele podia dizer: "Nunca hão de perecer". Sem dúvida Satanás desejava ardentemente arrebatar aquelas ovelhas das mãos do Bom Pastor. "Mas", disse Jesus, "eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça" (Lc 22.32). Que preciosa certeza! Preste atenção que aqui temos, em resumo, três pessoas distintas colocadas diante de nós: "o Pastor", "uma ovelha" e o "leão que ruge", procurando a quem possa devorar, como o próprio Pedro se refere a Satanás mais tarde em 1 Pedro 5.8 (Versão Almeida Atualizada). Surge agora a pergunta: Quem vai ficar com aquela ovelha? O "Pastor" ou o "leão"? "Satanás vos pediu", foi o que o Senhor disse a Pedro. Mas será que Satanás pode realizar o seu desejo? Aí está a questão vital. Será que ele tentou? Sim, ele tentou. E, no que diz respeito à "ovelha", Satanás teria saído vitorioso, pois Pedro não podia guardar a si mesmo, embora ele pensasse poder fazê-lo. Porém Aquele que estava para entregar Sua vida pelas ovelhas sabia bem como restaurar, por Sua intercessão, tanto quanto como salvar por Sua morte. "Eu roguei por ti." "O Senhor é o meu Pastor..."; Ele "refrigera (restaura) minha alma" (Sl 23.1,3).

Satanás não poderá jamais pegar a mais débil, e nem a mais defeituosa, das ovelhas de Cristo. Bendito seja Deus por isso! Se nos tivesse sido falado que até mesmo apenas uma poderia ser levada e devorada, cada um de nós deveria estar dizendo: "Temo que esta ovelha serei eu". Mas não é assim.

AS OVELHAS - UM PRESENTE RECEBIDO DO PAI

O Pai deu a Ele as "ovelhas" (João 10.29). E Ele diz duas coisas da maior importância acerca delas, em conexão com o fato de elas serem um presente dado a Ele por Seu Pai:

1. Ele diz que ELE DÁ A VIDA ETERNA a todos quantos o Pai Lhe deu (João 17.2). 2. Ele diz: "Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu" (Jo 17.12). E mais adiante, "dos que me deste nenhum deles perdi" (Jo 18.9).

E qual é o segredo de serem assim guardados? Será o amor ou a fidelidade deles? Não! Mil vezes, NÃO! Não é o amor deles, mas o amor dEle. "Como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim" (Jo 13.1).

Pedro poderia cair - e ele caiu, apesar de si mesmo. Ele despedaçou-se totalmente, e isso quando pensava conseguir fazer o melhor de si. Mas acaso o amor de seu bendito Mestre despedaçou-se em conseqüência daquilo? Não, não! A palavra de Pedro, também, caiu ao chão. Deverá a palavra do Senhor cair igualmente? Nunca!

Seria compreensível se escutássemos Pedro dizendo, quando ouviu o galo cantar naquela significativa manhã, e quando pensou acerca de seu pecado despencando sobre si com todo o seu esmagador poder: "Agora, meu Mestre irá virar Suas costas para mim para sempre!" De modo nenhum, Pedro. Ele fez exatamente o contrário. Veja, que graça! Pois Sua face volta-se imediatamente na direção de Seu discípulo desviado, e aquele amoroso olhar - sem palavra alguma mas cheio de significado - partiu o coração de Pedro, e ele saiu para chorar amargamente (Lucas 22.60-62).

Ah! Não, querido companheiro cristão; ninguém é capaz de nos arrancar de Sua poderosa mão ou de nos privar de um lugar no Seu amoroso coração! Na verdade, Ele fala de Suas ovelhas, de uma certa maneira, do mesmo modo como fala de Sua própria vida (compare João 10.18,28). De Sua própria vida Ele diz: "Ninguém ma tira de mim" (Jo 10.18. De Suas ovelhas Ele diz: "Ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10.28). E em outra passagem Ele diz: "Porque eu vivo, vós também vivereis" (Jo 14.19 - Almeida Versão Atualizada). Colossenses 3.4 afirma que Ele é a nossa vida; e no versículo que antecede, "vossa vida está escondida com Cristo em Deus". E, mais uma vez, em 1 João 5.11, "Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho".

Por isso, quão eternamente segura está cada ovelha de Cristo! Não causa surpresa a Ele quando, por assim dizer, suas ovelhas comportam-se mal. Ele sabia tudo acerca delas desde o princípio; e, apesar de tudo, morreu por elas. E agora Ele nunca tira Seus olhos de uma delas sequer, mas vive para ampará-las em suas fraquezas, e para interceder por elas, como seu Advogado, se elas pecarem (1 Jo 2.1). Essa Sua constante e predominante intercessão, como Advogado, é o meio que Ele usa para levar um crente desviado ao arrependimento e confissão de seus pecados, e assim, restaurar sua comunhão.

Mas será que o conhecimento de um tamanho e imutável amor não nos torna descuidados em nosso andar? Ocorre exatamente o contrário. É o amor de Cristo que constrange aqueles que verdadeiramente experimentaram a bênção celestial desse amor, a não viverem para si mesmos, como faziam antes, mas para Ele que morreu pelos Seus, para depois ressuscitar (2 Coríntios 5.15). E se, ainda assim eles, tola e obstinadamente, continuam a se extraviar de Sua protetora companhia, com toda certeza Ele nunca descansa até que os tenha trazido de volta, embora tenha que puni-los com Sua mão, e dar-lhes duros golpes a fim de conseguir isso; e tudo por causa do que Eles significam para o Seu coração e para o coração do Seu Pai.

Quão bendito é, então, sermos assim guardados e cuidados através de toda a jornada desta vida, até que em glória encontremos Aquele que morreu por nós; e tudo, eu repito, por causa do que foi o Seu amor, embora Ele conhecesse, desde o princípio, tudo o que nós viríamos a ser!

Que nunca nos esqueçamos, até àquele dia, que Ele é poderoso para nos guardar de cair, e para nos apresentar "irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória" (Judas 24). E Ele não é somente "poderoso para vos guardar", mas "pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7.25).

SERÃO TODOS OVELHAS?

Finalmente, que nenhum daqueles que, frios e sem vida, meramente dizem ser de Cristo, ou professam a fé cristã, sonhe que estas preciosas certezas se apliquem a si. Judas professava esplendidamente, e externamente fez uma apresentação melhor do que a de Pedro. O amigável beijo de Judas tinha uma aparência melhor, muito melhor, que o juramento quebrado de Pedro. No entanto, aquele que sonda todos os corações disse de Judas: "Um de vós é um diabo" (Jo 6.70). E no fim lemos que ele foi "para o seu próprio lugar" (At 1.25).

Vivemos numa época de frívola religiosidade exterior, na qual é, com freqüência, mais fácil e mais popular professar a Cristo, ou dizer que se é cristão, do que colocar-se ao lado daquele que é abertamente infiel e profano. O sucesso nos negócios está também, freqüentemente (e dói dizer isto), em estreita conexão com o fato de se ocupar o banco de uma igreja ou capela. Porém eu me apresso a declarar que não é a tais pessoas que o "nunca hão de perecer" se aplica. Um outro "nunca" encontrado em Mateus 7.22 se aplica a tais pessoas: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em Teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?" Isto era o que eles diziam. Agora ouça o que Cristo diz: "E então lhes direi abertamente: NUNCA vos conheci: apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade". Se esses tivessem sido "ovelhas", Ele certamente não poderia dizer deles: "Nunca vos conheci". Por outro lado, conforme vimos, Ele diz em João 10: "As minhas ovelhas... Eu conheço-as". Você crê nisto, leitor?

Deus permita que você possa ser levado a ver e sinceramente confessar que o "nunca" da graça é uma realidade tão grande quanto o "nunca" do juízo; e, por outro lado, que a eternidade da condenação do incrédulo é tão claramente assinalada na Palavra de Deus como a eternidade da bênção do crente.

George Cutting (+ 1934) 
Copiado por MdC