sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A CARTA DE JUDAS



A saudação. 
O autor desta Epístola não se diz apóstolo (entre os quais houve dois com o nome de Judas), mas simplesmente se chama "servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago" e, geralmente, se entende que ela foi escrita por Judas, um dos irmãos de Jesus Cristo (Mateus 13:55; Marcos 6:3) e irmão do autor da Epístola de Tiago (veja Atos 1:14;15.13).
Temos na saudação do apóstolo àqueles a quem se dirigia uma tríplice descrição dos leitores, bem como também uma tríplice benção proferida:
 Tríplice descrição dos leitores:
a) V. 1 - "Chamados" - por Deus. para a salvação (Romanos 8:30).
b) "Amados" - em Deus Pai, por serem filhos dEle (Romanos 8:15-16; 1a. João 3.
c) "Guardados" - em Jesus Cristo e por Ele; o crente esta seguro, nas mãos do Salvador (João 10:28-30).
Tríplice benção:
   a)  V. 2 - "Misericórdia" - quão essencial! (1a. João 2:1).
   b) "Paz" - a paz de Deus no coração, no meio das tribulações desta vida (Filipenses 4.7).
  c)  "Amor" - o mandamento do Senhor (João 15:12; 1a. João 4.19).
VERSÍCULOS 3-4
O perigo iminente.
Eis o motivo da Epístola. Judas achou que a mais urgente necessidade era avisar os cristãos acerca de ensinadores falsos e ímpios que já tinham entrado nas igrejas, negando o Salvador e incitando os crentes a praticarem os mais graves pecados.
Os "falsos mestres" indicados em Mateus 24:11 e em 2a. Pedro 2:1-2 já se tinham introduzido nas igrejas e os crentes tinham o dever de "batalhar" pela doutrina evangélica - isto é, manter fielmente e defender resolutamente os ensinos fundamentais e básicos da fé cristã. Aqui não se trata da fé individual que é para a salvação, mas, sim, do total dos ensinos específicos que formam o cristianismo e o distinguem do judaísmo e das demais religiões.
Já entraram nas igrejas "homens ímpios" chamando-se cristãos, mas negando duas doutrinas principais do Evangelho:
a) a divindade de Jesus Cristo;
b) a vida santa como prova da fé em Cristo - pois eles "transformaram em dissolução (libertinagem) a graça de Deus".
Judas salienta a divindade de Jesus - "nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo". Aqueles mestres" diziam "se somos salvos pela graça e não pelas obras, então podemos pecar à vontade!" - esquecendo-se que o pecador arrependido e crente em Cristo não terá "vontade" de pecar (Romanos 6.2, 17; 8.4-5; 1a. João 3 6-9).
VERSÍCULOS 5-7
O castigo dos ímpios.
Aqui Judas cita três exemplos do castigo divino, nos tempos passados:
a) Os incrédulos e rebeldes em Israel, durante os quarenta anos no deserto. A nação foi salva do Egito e consagrada a Deus pelo batismo no Mar Vermelho, em Moisés seu chefe (veja 1a Coríntios 10:2). Porém, a maioria mostrou-se incrédula e desobediente e ficou destruída em períodos sucessivos (Êxodo 33:25-28; Números 33 etc.). Veja também 1a. Coríntios 10:5-8.
b) Anjos. A referência aqui é misteriosa, sendo semelhante à de 2a. Pedro 2:4. Os anjos rebeldes serão julgados, junto com Satanás, no fim do Milênio (Apocalipse 20:10).
c) Sodoma e Gomorra. Os habitantes destas cidades praticavam toda perversidade sexual (Gênesis 19:5, 8; veja também Romanos 1:27) O fogo que os destruiu é tornado como profético do fogo eterno reservado para todos os ímpios (Apocalipse 20.14-15).
VERSÍCULOS 8-11
Mestres ímpios.
Eis uma descrição detalhada dos ensinadores apóstatas que entraram nas igrejas:
a) São indisciplinados. Não reconhecem autoridade superior, na família, na igreja ou no país; praticam a fornicação; rejeitam o ensino apostólico e difamam governos (v. 8). Mesmo Satanás, sendo de posição superior no mundo angélico, não foi injuriado pelo arcanjo Miguel (este incidente é mencionado somente aqui; porém, essa gente zomba do que não entende e moralmente se comporta pior do que os animais.
b) No v. 11 os apóstatas são comparados com Caim, Balaão e Coré.
O primeiro Caim, não governou suas paixões - ciúmes e raiva;
Balaão, pelo amor ao dinheiro, desobedeceu a Deus e depois fez que o povo pecasse gravemente (Números 25:1-9- 31:8, 16);
Coré difamou a Moisés e a Arão e rebelou-se contra eles (Números 16).
VERSÍCULOS 12-16
Ensinadores perigosos.
a) Uma sétupla descrição do caráter destas pessoas (vs. 12-13).
São como "rochas submersas" perigosas para navios;
São "glutões" nas festas da igreja;
São "pastores interesseiros";
São como "nuvens sem chuva e sem direção".
São inúteis como "árvores infrutíferas" que são marcadas para serem destruídas;
São como "ondas bravias do mar" que sujam as praias com o lixo que depositam;
São "estrelas sem rumo", dirigindo-se para as trevas eternas.
b) Estas pessoas foram previstas por Enoque, na sétima geração depois de Adão (Gênesis 5:21-24); ele "andou com Deus" e mesmo antes do Dilúvio predisse a Vinda do Senhor para julgar os ímpios conforme as suas obras e as suas palavras. Note que esta profecia não está mencionada em Gênesis, mas (como a contenda entre Miguel e Satanás no v. 9) foi confirmada pelo Espírito ao escritor desta Epístola.
c) As palavras dos apóstatas são murmurações, arrogâncias e adulações e as suas obras são o fruto da carnalidade, impureza e ganância (v. 16).
VERSÍCULOS 17-25
Ensinos espirituais:
a) Judas dirige-se novamente aos crentes - "Vós porém, amados" - como também no v. 20 Adicionalmente a profecia de Enoque, os apóstolos já tinham avisado a igreja acerca dos "mestres" ímpios. Aqui Judas cita textualmente as palavras de Pedro (2a. Pedro 33) e há referência também a Romanos 16:17-18 e a 2a. Timóteo 3:1-8. Provavelmente todos os apóstolos ensinavam estas coisas no seu ministério entre as igrejas; veja Atos 20.29-31.
b) Os "pastores ímpios" não têm o Espírito Santo (v 19) - pois nunca se converteram a Cristo. nunca nasceram de novo. São "sensuais sem percepção espiritual" e causam divisões entre os cristãos; fundam "igrejas" e "congregações" que são deles mesmos e não de Cristo.
c) Vemos aqui a maneira de "batalharmos pela fé" para mantermos nas igrejas a sã doutrina e a conduta digna do Senhor (vs. 20-23). O escritor indica quatro meios de conseguir-se este fim:
1. Edificação na "vossa fé santíssima" (v 20) Isto se faz pelo estudo da Palavra e pela obediência a seus ensinos. Crentes que negligenciam as reuniões para estudo bíblico e para ministério da Palavra são geralmente os primeiros a serem seduzidos por falsos mestres e divisionistas, pois não são firmados nem edificados na doutrina de Cristo.
2. Oração. Aqui se contempla a igreja reunida em oração; os que regularmente se ausentam destas reuniões, raras vezes são crentes dados a oração particular em casa!… Porém, a oração "no Espírito Santo" é realmente a maior proteção contra o falso ensino e a carnalidade.
3. Firmeza no amor de Deus (v. 21). Esse amor foi mostrado no Evangelho da nossa salvação: "Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito" (João 3:16) - "Pela graça sois salvos mediante a fé" (Efésios 2:8). Esperamos a Vinda do Senhor e a perfeição da nossa redenção (Romanos 8:18, 23). Somos salvos para a santidade, não para o pecado.
4. Compaixão para crentes fracos e enganados (vs. 22-23). Em vez de censurá-los, esforcemo-nos para guardá-los na fé. orando por eles, aconselhando-os com amor. Quanto aos que parecem já perdidos, seguindo o pecado (embora ainda chamando-se cristãos, "mais liberais"), tenhamos dó dos tais, porém, cuidando de nós mesmos, separando-nos inteiramente do mal.
A doxologia (vs. 24-25). A Epístola termina com uma notável peroração de louvor a Deus "Àquele que é poderoso para guardar e apresentar": guardar de tropeçar e apresentar perfeitos diante do Seu trono. No v. 25, eterno louvor ("antes de todos os séculos, e agora, e por toda a eternidade") se oferece ao "único Deus. Salvador nosso" mediante "Jesus Cristo, Senhor nosso" - palavras que nos mostram tanto a unidade de Deus, como a igualdade de Jesus Cristo com Deus o Pai.
Assim finda esta Epístola curta, mas importante e solene. Como temos visto (v. 4), os libertinos entraram nas igrejas nos tempos apostólicos. Durante os séculos da Idade Média, o seu joio estragou quase completamente a moralidade e a espiritualidade do cristianismo. Hoje em dia, há pregadores e seitas inteiras que negam "a fé uma vez dada aos santos" que é a palavra completa de Deus, desprezando a autoridade da Bíblia e relaxando assim o padrão cristão de moralidade e de piedade.

Sejamos vigilantes. Sejamos fieis. Sejamos santos, em toda a nossa maneira de viver.
Copilado por MdC
autor
Richard Dawson Jones (1895 - 1987)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

SOBRE A IGREJA DO SENHOR JESUS E OS LIDERES NOS DIAS ATUAIS




Neemias 6:3 “Por isso enviei-lhes mensageiros com esta resposta: "Estou executando um grande projeto e não posso descer. Por que parar a obra para ir encontrar-me com vocês? "
Esse verso nos sugere a possibilidade de refletirmos de forma profunda e ao mesmo tempo oportuna sobre o momento eclesiástico da Igreja na atualidade.  O contexto histórico em que está inserido as palavras de Neemias apresenta elementos suficientes para perceber a grandeza do caráter dele como líder do povo de Deus, em razão das circunstâncias humilhantes que o povo estava a passar.
Havia da parte de Neemias algumas características que pretendo destacar:
1ª EMPENHO – Havia por parte desse Líder uma grande disposição; um extremo interesse pela obra do Senhor. Ele compreendia o tamanho da responsabilidade que era liderar. Daí a razão de seu empenho.  
2ª SACRIFICIO PESSOAL – A palavra de Deus afirma que naquele tempo Neemias era copeiro do Rei (Ne 1:11). Ele não era qualquer empregado, ele era o copeiro, o homem que experimentava a bebida do rei para protegê-lo de ser envenenado. Para ter tal posição, ele deve ter trabalhado muito.
Neemias se dispôs a abrir mão de tão elevada posição e por que não dizer abrir mão do status, de copeiro do rei, para se empenhar na realização do propósito de Deus,
Assim era um líder do povo de Deus no passado e sem dúvida é o que Deus espera daqueles que se dizem vocacionados à liderança: Empenho e Sacrifício Pessoal. Neemias agiu assim na restauração moral, material e espiritual do Seu povo. Deixou seu emprego,deixou tudo e se empenhou com dedicação exclusiva.
CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE NEEMIAS DEIXOU TUDO
Neemias fez tudo isto em meio a muitas adversidades:
1º A oposição era ferrenha e vinha de todos os lados, não só dos inimigos declarados (porém intentavam fazer-me mal, (Ne.6:2), 
2º A oposição vinha também de seus compatriotas, que não compreendiam os propósitos de Deus para o seu próprio benefício, nem o modo como Deus estava a atuar por meio do fiel instrumento chamado Neemias.
Neemias fez uma solene declaração: “Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer”. Essa declaração foi feita quando de maneira ardilosa foi instigado a abandonar o projeto de Deus, em que estava envolvido, com os seus poucos, PORÉM, fiéis companheiros, e que visava à restauração material, moral e espiritual do Seu povo.
O diabólico trio Gesém, Sambalá e Tobias destilavam seus ardis! Achavam que o grupo liderado por Neemias era fraco, não tinham recursos para levar a bom termo um empreendimento de tamanha envergadura.
Os argumentos pareciam lógicos e razoáveis, mas não tinham qualquer fundamento e não deveriam prevalecer. O critério de avaliação que faziam baseava-se, apenas, na perspectiva do homem. Não consideravam as possibilidades divinas com que Neemias e o seu grupo contavam.
A P.D ensina que o critério de Deus foge a lógica humana: “Deus escolheu as coisas loucas de mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" (1Co.1:27). Paulo, ainda, ensina, com a força da sua experiência de dor e sofrimento: "Mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo... Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co.12:9-10).
Deus não muda os Seus projetos, ainda que nos pareçam inviáveis. Não é razoável querer “dar uma ajudinha” a instrumentalidade que Deus estabeleceu para realizar o que se propôs fazer.  Neemias manifestou essa certeza em três aspectos. Veja o que ele disse:
·      ESTOU FAZENDO”. Estava envolvido por Deus no que fazia e fazendo da maneira como Deus queria. Neemias não era um líder que comparecia somente aos domingos pela manhã e a noite ou simplesmente mandava ordens, ELE ESTAVA FAZENDO. É isso o que importava.
·      GRANDE OBRA. Ele tinha convicção da grandeza da obra em que estava envolvido. Não grande no sentido quantitativo, mas grandeza no caráter da obra, apesar do conceito diferente que os seus opositores tinham.
·      NÃO DESCEREI”. Neemias tinha convicção de que não devia aceitar alternativa para chegar ao bom resultado, em razão das opiniões negativas dos seus opositores a respeito do que fazia e do modo como fazia. Nada podia dissuadi-lo.
Manteve a identificação necessária com DEUS e com o MODELO de trabalho. Recusou o que chamavam de “auxilio” ou “ajuda” externa.
Devemos, assim como o líder Neemias, sermos cuidadosos para não aceitar propostas para a realização da obra do Senhor que não o MODELO por ELE deixado em sua palavra. Não devemos descer, nunca, saindo do MODELO do Senhor. Devemos valorizar a igreja, que é o meio deixado pelo Senhor para a Sua grande obra, desde o seu início. Esse aspecto da convicção de Neemias PRESERVAVA A SUA IDENTIDADE DE LIDER SEGUNDO A PERSPECTIVA DIVINA.
O versículo em questão ilustra a realidade da Igreja dos nossos dias! Podemos perceber que a Igreja, que é o único projeto de Deus para a realização do Seu propósito no mundo, está se afastando de Deus e da bíblia, está perdendo a perspectiva correta do MODELO deixado por Deus em sua palavra e, conseqüentemente, a sua IDENTIDADE.
A igreja e sua liderança, assim como Neemias, não precisam de outros meios e formatos, como alternativas de “auxílio” ao sublime e eficaz ministério designado por Deus.
A Igreja não é uma organização humana, mas um organismo espiritual. Não é uma formulação societária burocrática secular, mesmo que denominada “sociedade religiosa sem fins lucrativos”, mas é uma instituição de Deus!
Desde que as alternativas humanas começaram a infiltrar-se no seio da igreja, o trabalho espiritual foi deturpado, tendo como conseqüência sérios desvios da Verdade e a Obra do Senhor extremamente prejudicada.
O MODELO de Deus para o exercício de seu ministério aqui na terra continua sendo a Igreja. Deus não tem alternativo, não porque que ELE seja limitado, mas porque assim determinou que fosse:
■ Jesus afirmou que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja (Mt.16:18). 
■ É o senhor quem edifica e usa a igreja. 
■ O Espírito Santo continua sendo o Vigário da igreja, atuando, com poder, através dos seus membros, suprindo-os, com os dons para o exercício do seu ministério. 
■ Cristo é o Cabeça da Igreja. 
■ A Palavra de Deus é a sua “regra de fé e prática”, que orienta e capacita.
■ O governo da igreja ainda é através do Presbitério, pluralista, constituído pelo Espírito Santo e reconhecido pela própria Igreja (At.20:28; 1Tm.3:1-7; Tt.1:5-9; 1Pe.5:1-4).

De que mais a Igreja e os lideres constituídos por Deus precisa para cumprir a sua vocação celestial?
De FIDELIDADE! Que a igreja de nossos dias, bem como o verdadeiro líder possa como Neemias apresentar as alternativas: “Não poderei descer”. Sim, que não desçam um degrau sequer, da posição e atuação validadas pelo Senhor Jesus que não se distraiam nem se desviem dos alvos do Senhor.
A Deus somente seja a glória.
Adaptado por Roney Miguel
MdC

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Dirigindo o culto cristão


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“sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” Hebreus 12.28

Aquele que dirige um culto cristão precisa ter em mente que o Culto é para Deus. É de suma importância ter consciência que a centralidade do Culto cristão está na Pessoa de Jesus Cristo o autor de nossa salvação. Foi o sacrifício dEle que nos permitiu termos livre acesso ao Pai e não as nossas vontades e desejos. Diante disto, um culto cristão deve ser conduzido com excelência, entregando para Deus o melhor. Todo o dirigente do culto numa congregação deve estar convicto de que dirigir é um ministério, um serviço e que todo serviço para Deus deve ser conduzido de modo agradável, com reverencia e santo temor, como nos ensina o escritor aos Hebreus. O apostolo Paulo também nos adverte que tudo quanto fizermos para Deus deve ser feito “... com ordem e decência” I Co 14:40.
Não pretendemos aqui exaurir todos os ensinos e conselhos que diz respeito à boa condução de um culto cristão, mas sim, a luz da palavra de Deus apresentar o que podemos chamar de “bons conselhos”

Preparação antes do culto

1.A responsabilidade do dirigente é tornar alegre e solene o momento dos cânticos, para preparar a congregação e levá-la a um espírito pronto para a mensagem.
2. É necessário, portanto que o dirigente do culto se prepare em oração tanto como o pregador. Gaste tempo em oração.
3. Escolha cânticos que sejam adequados para cada culto que irá acontecer.
4.Escolher os cânticos com antecedência é de suma importância e demonstra para o público que você é organizado e não faz a obra do Sr. relaxadamente. Não fique procurando o que cantar diante da congregação.
5.Faz-se necessário ensaiar os louvores com antecedência, a fim de encontrar o tom a ser cantado, de modo a não tornar para a congregação, o ato de louvar em algo insuportável.
6.O Dirigente do culto, bem como qualquer um que vá a frente da congregação, deve estar bem penteado e com a roupa em ordem e limpa. (A limpeza do corpo vem logo após a salvação da alma.)

Regendo a congregação

1.Ao subir ao púlpito, faça-o com firmeza, com confiança, para não tropeçar, e sem acanhamento.
2.Se, quando cantamos, a congregação vai à sua frente ou se conduz o cântico ao gosto dela, você é inútil como dirigente e tudo pode se descontrolar.
3.Procure ser agradável e educado, porém com autoridade (nunca autoritário).
4. Controle o nervosismo, não pense em si mesmo, nem chame a atenção do público para sua pessoa. Afinal o momento do culto não é um show.
5.Tenha boa postura, não deite sobre o púlpito.
6. Não se curve; olhe a congregação; abra os olhos para manter a atenção.
7.Esforce-se para que todos cooperem nos cânticos, então estarão prontos para a mensagem.
8.Anuncie o número do hino com clareza ou o nome do louvor a ser cantado.
9.É interessante dizer: “Vamos cantar o hino número.. .” Não cantamos páginas, e, sim, hinos. Ou dizer: “Vamos cantar o cântico que tem por título ...” Assim se ganha a atenção da congregação.
10.É bom e importante anunciar o número ou o nome do cântico uma segunda vez.
11.Quando quiser que a congregação se ponha em pé, faça um gesto com as mãos para cima para indicá-lo.
12.Diga sempre à congregação quando deve levantar-se ou sentar-se. Há situações em que depois de um cântico o dirigente não avisa que a congregação deve sentar-se e fica metade da congregação em pé, aguardando um comando de quem dirige, enquanto o restante da igreja vai se sentando as prestações. LEMBRE-SE: Não é necessário fazer a congregação levantar-se para cada hino ou cântico. Alguns irmãos podem estar cansados do trabalho, pela idade ou até mesmo por problemas de saúde e não necessitam dessa “ginástica santa”.

Regendo o hino

1.Não esconda o rosto com as mãos ou com o microfone quando estiver regendo a congregação. A igreja precisa saber para onde você está indo na condução do louvor.
2.Mova a mão livremente e mantenha a posição.
3.Faça os movimentos da mão de maneira natural, não com a mão rígida, nem com os dedos inflexíveis. Não faça gestos com as mãos que possam parecer obsceno.
4.Para reger o coro pode-se indicar cada tempo, porém para reger uma congrega­ção não é muito importante.
5.Pode-se usar ambas as mãos.
6.Não seja exagerado com os movimentos para não chamar atenção sobre você mesmo. Afinal você não é uma “estrela” e o culto não é um “show”

CONCLUINDO

Claro que este estudo está muito simplificado e não tratou de todos os aspectos que envolvem a direção de um culto a Deus. Porém, se você tomar ciência de tudo o que este trabalho abrange, tem uma boa base para dirigir qualquer culto, quer seja no templo, em casa num aniversário ou até mesmo num culto fúnebre.
O momento de louvor no culto cristão é um momento exclusivamente para Deus. O sentido é mais importante do que a execução, por isso você deve orar e pedir para que Deus lhe toque o coração para que ao dirigir uma congregação no momento do louvor, tudo que vier a acontecer ali seja de fato, agradável a Ele. /
Use tudo o que aprendeu!
A Deus somente seja toda a glória
MdC


domingo, 14 de janeiro de 2018

SACERDÓCIO UNIVERSAL DO CRENTE


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SACERDÓCIO UNIVERSAL DO CRENTE

Lemos que no AT a Lei de Moisés separou a tribo de Levi e a família de Arão para serem os sacerdotes da Nação. Estes homens usavam vestes diferentes, tinham privilégios especiais e constituíam uma casta a parte, entre Deus e a congregação de Israel. Só eles podiam entrar no lugar santo e oferecer os sacrifícios prescritos pela Lei.
Quando voltamos nossa atenção para o Novo testamento descobrimos que no Cristianismo é tudo diferente. Lemos sobre o apóstolo Pedro ensinando que todos os crentes são sacerdotes do Deus altíssimo. Observe:
"Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo" (1ª Pedro 2:5).
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (1ª Pedro 2:9).
Temos também João fazendo menção ao mesmo fato em (Ap 1:5-6)
"Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai; a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém".
Afirmar que existe outro tipo de sacerdócio ou defender uma classe distinta dentro da igreja do Senhor como sendo uma casta diferenciada para o sacerdócio, não tem base alguma na Palavra de Deus; Essa afirmação seria meramente humana e ou em tradições humanas.
O dever do sacerdote desde o tempo do A.T é oferecer sacrifícios. No Velho Testamento os sacrifícios consistiam em animais imolados, enquanto que na dispensação da igreja, os sacrifícios dos sacerdotes, que são todos os crentes em Cristo Jesus são:
* O sacrifício do seu corpo - (Rm. 12:1); não um sacrifício morto, mas "vivo, santo e agradável", oferecido exclusivamente a Deus.
* O sacrifício de seus bens materiais - "Não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus se agrada". (Hb. 13:16).
* O sacrifício de louvor - "Portanto, ofereçamos sempre por Ele, a Deus, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu Nome". (Hb. 13:15).
Estes sacrifícios podem ser oferecidos, individualmente ou coletivamente.
Quando olhamos para o modelo de sacerdócio praticado no meio cristão hoje em dia, parodiando um linguajar do meio futebolístico, o que vemos em sua maioria, é o mesmo jogador cobrando o escanteio e correndo pra dentro da área pra fazer o gol. Vemos cristãos sendo privados de liberdade na participação da adoração pública, privados da liberdade que a palavra de Deus dá para o exercício do sacerdócio universal.
Recentemente em visita a um ajuntamento cristão vi um denominado “pastor” fazendo a abertura do culto, tocando instrumento, dando avisos, fazendo orações, pregando, cantando e ainda correndo pra chegar a porta do templo pra saudar a todos pessoalmente; ou seja: cobrando o escanteio e correndo para fazer o gol.
Infelizmente o SACERDÓCIO UNIVERSAL DE TODO CRENTE foi eliminado e substituído pelos monótonos serviços regulamentados e orientados dos nossos dias, prática herdada do romanismo ou judaísmo, que resulta numa multidão de sacerdotes mudos, apenas ouvintes.
Os deveres e privilégios dos sacerdotes à luz da bíblia, incluem oração pública, o testemunho para glória de Deus, o cuidado do povo de Deus, a pregação pública da palavra de Deus, o ensino público etc. A palavra de Deus em (Rom. 8:14; Gál. 5:18; João 16:13), revela com muita clareza que todos esses deveres devem ser postos em prática o tempo todo, e não apenas aos domingos. Não se limitam aos ajuntamentos da Igreja, sejam reuniões de adoração, de estudo bíblico ou de oração, mas abrangem toda a vida do crente, tanto dentro como fora dos lugares das reuniões, sejam eles salões, capelas, templos como queiram denominar. De acordo com o Novo Testamento, todo o povo de Deus é: "um reino sacerdotal e uma nação santa", (Êxodo 19:6; 1 Pedro 2:5-9).
Embora todos sejamos sacerdotes, não podemos esquecer que cada crente precisa dum Sacerdote diante de Deus, MAS não um líder religioso ou eclesiástico que detém todo o poder e autoridade na condução do culto a Deus. Esta necessidade é plenamente suprida na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. O escritor aos Hebreus apresenta JESUS CRISTO como o nosso grande Sumo-Sacerdote, que se compadece das nossas fraquezas, porque em tudo foi tentado como nós, mas sem pecado. (Hb. 4:15).
Se de fato somos apegados a fiel palavra de Deus precisamos reconhecer o Senhor Jesus como nosso Grande Sumo-Sacerdote, um sacerdote santo e real. Será isto que encontramos na cristandade hoje em dia? Pelo contrário, a igreja, na sua maioria, voltou ao sistema romano-judaico de sacerdotes. Embora os crentes confessem crer no sacerdócio de todos os crentes, muitas “igrejas” criam um sacerdócio todo seu, fundamentados, não na palavra de Deus, mas nos seus regimentos, códigos de condutas, estatutos humanos etc, tornando assim:
a) Um grupo de homens escolhidos para o Serviço Divino; já há lugares em que nesse grupo de escolhidos tenha mulheres.
b) Uma hierarquia eclesiástica com títulos honoríficos que os distingue dos leigos. Títulos, muitas vezes, emprestados dos dons.
c) Vestes especiais para indicar que eles pertencem a uma casta diferenciada.
Deus ainda hoje conclama o Seu povo a separar-se destas práticas e se unirem simplesmente no Nome do Senhor Jesus em quem encontramos toda a suficiência.
Quando num ajuntamento verdadeiramente cristão todos atuam segundo o ensino bíblico do Novo Testamento, em relação ao sacerdócio universal, essa igreja será:
·                 Uma igreja cheia do Espírito, onde os seus membros participam regularmente das reuniões de oração;
·                 Uma igreja em que todos os membros são auxiliares práticos e colaboradores dos servos do Senhor na Sua Seara através do mundo;
·                 Haverá atitude e não ativismo na disseminação do Evangelho.
·                 Os membros de tal igreja serão constrangidos a viver num ambiente de amor, e não de disputas, no qual cada crente procura ajudar os outros em amor e num espírito de devotada consagração, estimulando-se uns aos outros ao amor e às boas obras.
Igrejas que se esforçam por agir de modo bíblico e escriturístico, no que tange ao sacerdócio universal, seus cultos, reuniões e serviços são dirigidos pelo Espírito Santo; e os dons distribuídos pelo próprio Senhor, desenvolvidos conforme a variedade da mesma, em comunhão fraternal e na dependência e liberdade de Cristo (1ª Cor. 12:4-l1; 14:26); a adoração sacerdotal subirá até ao Santuário celestial, que é o mais alto privilégio do sacerdócio da Igreja.

Fonte de pesquisa:
Bíblia sagrada,
Comentários de
William MacDonald
MdC

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

ROMANOS 9:6-18 Versículo a versículo

ROMANOS 9:6-18
Versículo a versículo


VERSO 6. Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas;

“a palavra de Deus” – Neste contexto esta frase se refere às promessas da aliança do VT. As promessas de Deus são firmes (Nm 23.19; Is 40.8; 55.11; 59.21).
“haja faltado”
ARC “não que haja faltado”
ARA “não pensemos que a palavra de Deus haja falhado”
NTLH “não estou dizendo que a palavra de Deus tenha falhado”
BV “as promessas... ficaram sem valor?”
BJ “não é que a palavra de Deus tenha falhado”
Esta expressão (ekpiptō) foi usada na Septuaginta diversas vezes para referir-se à falha de algo (Is6.13) ou de alguém (Is 14.12).
É um INDICATIVO ATIVO PERFEITO, o que denota um estado do ser que tem resultados duradouros (mas isso é negado).
“porque nem todos os que são de Israel são israelitas”

ARC “porque nem todos os que são de Israel são israelitas”
ARA “porque nem todos os que são de Israel são, de fato, israelitas”
NTLH “nem todos os israelitas fazem parte do povo de Deus”
BV “os que vêm a Ele. Estes são verdadeiramente o seu povo.”
BJ “porque nem todos os que descendem de Israel são Israel”
O significado desta declaração paradoxal mexe com os diferentes significados bíblicos do termo
“Israel”:
(1) Israel, significando os descendentes de Jacó (Gn 32.22-32);
(2) Israel, significando o povo
eleito de Deus;
(3) Israel como povo espiritual, significando a Igreja (Gl 6.16; 1 Pe 2.8,9; Ap 1.6), em comparação ao Israel natural (vv. 3-6). Nem mesmo os judeus se mantiveram justos diante de Deus com base apenas na sua linhagem (v. 7), mas sim baseados na sua fé (2.28-29; 4.1 segs.; Jo 8.31-59; Gl 3.7-9; 4.23). Foi o remanescente crente que recebeu as promessas de Deus e andou nelas pela fé (9.27; 11.5).
O verso 6 começa uma série de supostas objeções (9.14,19,30; 11.1), continuando o formato paulino das diatribes, que transmitem a verdade por meio de um suposto opositor:
(Ml 1.2,6,7 [duas vezes],
12,13;2.14,17 [duas vezes];
3.7,13,14).
VERSO 7. Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.

A segunda metade deste versículo é a citação de Gn 21.12. Nem todos os filhos de Abraão eram filhos do pacto e da promessa de Deus (Gn 12.1-3; 15.1-11; 17.1-21; 18.1-15; Gl 4.23). Isto mostra a distinção entre Ismael e Isaque, nos vv. 8-9, e entre Jacó e Esaú, nos vv. 10-11.
VERSO 8. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.

Aqui Paulo está usando o termo “carne” para referir-se à descendência nacional (1.3; 4.1; 9.3,5). Está contrastando os filhos naturais de Abraão (os judeus de 9.3) com os filhos espirituais de Abraão (filhos da promessa; aqueles que confiariam pela fé no Messias prometido de Deus). Este não é o mesmo contraste de 8.4-11, a humanidade caída contra a humanidade remida.
VERSO 9. Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho.

Esta é uma citação de Gênesis 18.10,14. A criança prometida (“a semente”) viria de Sara, por iniciativa de Deus e no futuro resultaria no nascimento do Messias. Isaque foi o cumprimento especial da promessa de Deus a Abraão em Gn 12.1-3, treze anos antes.
VERSO 10. E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai;

As esposas de Abraão, Isaque e Jacó eram estéreis. Não podiam engravidar. A incapacidade delas de ter filhos era um dos meios para Deus mostrar que Ele estava no controle do pacto e das promessas para a linhagem messiânica.
A outra forma é que a verdadeira linhagem messiânica nunca procede do filho mais velho dos patriarcas (como era esperado naquela cultura). A chave é a escolha de Deus (vv. 11-12).
VERSO 11-12. Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),12. Foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor.

Os versículos 11 e 12 formam uma sentença em grego e são um relato tirado de Gn 25.19-34.
Este exemplo é usado para provar que foi escolha de Deus (v. 16), E não:
(1) linhagem humana,
(2)mérito ou realizações humanas (v. 16).
Este é o coração do evangelho, o novo pacto (Jr 31.31-34; Ez 36.22-36). Contudo, precisa ser lembrado que a escolha de Deus não significou exclusão, mas inclusão!
O Messias viria de uma semente seleta, mas viria para todos (que exercessem fé, cf. capítulo 10 vai nos ensinar).
9.11 “propósito” – Este é um termo composto de pro mais tithēmi, que tem diversos sentidos.
1. Em Rm 3.25:
a. Estabelecido publicamente;
b. Dom propiciatório.
2. Planejado de antemão:
a. Por Paulo (Rm 1.13);
b. Por Deus (Ef 1.9).
A forma SUBSTANTIVA (prothesis), usada neste texto, significa “pré-estabelecer”:
1.Referindo-se ao pão da proposição no Templo (Mt 12.4; Mc 2.26; Lc 6.4);
2.Referindo-se ao propósito redentor predeterminado de Deus (Rm 8.28; 9.11; Ef 1.5,11; 3.10; 2Tm 1.9; 3.10).
Paulo usa diversos termos compostos com a preposição pro (antes), nos capítulos 8 e 9 de Romanos e em Efésios capítulo 1: OBSERVE:
1. proginōskō – conhecido previamente (Rm 8.29);
2. proorizō – designado de antemão (Rm 8.29; Ef 1.5,11,30; Ef 1.9);
3. prothesis – propósito predeterminado (Rm 9.11);
4. proetoimazō – prefaciado antecipadamente (Rm 9.23);
5. prolegō – dito previamente (Rm 9.29);
6. proelpizō – esperado antecipadamente (Ef 1.12).
O Verso 12 é uma citação da profecia de Gn 25.23 relativa a Esaú e Jacó e mostra que Rebeca e Jacó atuaram de acordo com a profecia, não por ganância pessoal, em enganar Isaque a respeito da bênção!
VERSO 13. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú.

“mas aborreci a Esaú” – Esta é uma citação de Ml 1.2-3. “Aborrecer” é uma expressão idiomática hebraica comparativa. Ela soa dura em nossa língua, mas compare Gn 29.31-33; Dt 21.15; Mt 10.37-38; Lc 14.26; e Jo 12.25. Os termos antropomórficos “amor” e “ódio” não estão descrevendo as emoções de Deus em relação a esses indivíduos, mas ao Seu comprometimento com a promessa e a linhagem messiânica.
Jacó era o filho da promessa, com base na profecia de Gn 25.23.
Esaú, em Ml 1.2-3, se referia à nação de Edom (os descendentes de Esaú).
VERSO 14. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.

Paulo usa freqüentemente esta forma de diatribe (3.5; 4.1; 6.1; 7.7; 8.31; 9.14,19,30).
“Que há injustiça da parte de Deus?” – Como Deus pode atribuir responsabilidade aos seres humanos, se a soberania de Deus é o fator decisivo (v. 19)?
Esse é o grande mistério da eleição. A chave para compreensão neste contexto é: Deus é livre para fazer o que quer com a humanidade (que é uma humanidade rebelde), CONTUDO a soberania de Deus é expressa em misericórdia (Ver nota no v. 15), não em poder ou brutalidade.
Também pode ser declarado que as escolhas soberanas de Deus não são baseadas no conhecimento prévio das futuras escolhas e ações humanas. Se fosse, as escolhas e ações e méritos individuais seriam a base final para a escolha de Deus (v. 16; 1 Pe 1.2).
Por trás dessa idéia está o tradicional ponto-de-vista dos judeus a respeito da prosperidade do justo (Dt 27-28; Jó e Sl 73). Mas Deus escolhe abençoar mesmo os indignos através da fé (não das obras). Deus sabe todas as coisas, mas escolheu limitar Sua escolha:
(1) em misericórdia e
(2) em promessa.
Há a necessidade de uma resposta humana, mas ela segue e finalmente confirma a escolha eletiva de Deus como transformadora de vida.
“De maneira nenhuma!” – Esta é uma FORMA OPTATIVA rara (em grego e em inglês), mas era
freqüentemente usada por Paulo para uma negação enfática, normalmente negando as objeções do seu oponente diatríbico (3.4,6,31; 6.2,15; 7.7,13; 11.1,11; ver também 1Co 6.15; Gl 2.17; 3.21; 6.14).
VERSO 15. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.

Esta é uma citação de Ex 33.19. Deus é livre para agir de acordo com Seus propósitos redentivos.
Mesmo Moisés não mereceu a bênção de Deus (Ex 33.20). A chave é que Suas escolhas são em misericórdia (vv. 16,18-23; 11.30,31,32).
VERSO 16. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.
“misericórdia” ainda vs 15 – Esta palavra (eleos) é usada na Septuaginta (LXX) para traduzir o termo especial hebraico hesed, que significava “lealdade firme, de aliança” (vv. 15,16,18,23; 11.30,31,32). A misericórdia e a eleição de Deus são plurais, coletivas (dos judeus [em Isaque], não dos árabes [em Ismael]; de Israel [Jacó], não de Edom [Esaú], mas dos crentes judeus e dos crentes gentios, cf. v. 24), bem como dos indivíduos.
Esta verdade é uma das chaves para descobrir o mistério da doutrina da predestinação (redenção universal). A outra chave no contexto dos capítulos 9 a 11 é o caráter imutável de Deus, a Sua misericórdia (9.15,16,18,23; 11.30,31,32), e não na atuação ou obras humanas. A misericórdia através da eleição terminará alcançando a todos os que crêem em Cristo, aquele que abre a porta da fé para todos (5.18-19).
VERSO 17-18 . Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.18. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.

O versículo 17 é uma citação de Ex 9.16; o versículo 18 é a conclusão obtida da referida citação.
Está registrado que Faraó endureceu o coração (Ex 8.15,32; 9.34). E está registrado também que
Deus endureceu o coração dele (Ex 4.21; 7.3; 9.12; 10.20,27; 11.10). Este exemplo é usado para mostrar a soberania de Deus
Temos no (v. 18) Paulo dizendo que Faraó é responsável por sua escolha. Deus usa a arrogância e obstinação pessoal do Faraó para cumprir a Sua vontade para Israel (v. 18).
Também note que o propósito das ações de Deus com Faraó foram redentivas e inclusivas na sua abrangência. A intenção delas era:
1. Mostrar o poder de Deus (contra os deuses egípcios);
2. Revelar Deus ao Egito e, por implicação, a toda a terra (v. 17).
O pensamento ocidental (americano) magnífica o indivíduo, mas o pensamento oriental focaliza a
necessidade de ver o aspecto coletivo. Deus usou Faraó para revelar a Si mesmo para um mundo necessitado e fará o mesmo com o Israel incrédulo (capítulo 11). Neste contexto, os direitos do indivíduo (ou de grupos pequenos) diminuem, à luz da necessidade coletiva. Vale lembrar os exemplos de tratamento pelo interesse coletivo maior, no VT:
1. Os primeiros filhos de Jó morreram depois da discussão de Deus com Satanás (Jó 1-2);
2. Os soldados de Israel morreram por causa do pecado de Acã (Js 7);
3. O primeiro filho de Davi com Batseba morreu por causa do pecado de Davi (2 Sm 12.15).
Todos somos afetados pelas escolhas e decisões de outros. Este aspecto corporativo pode ser visto no NT, em Rm 5.12-21.

FONTE DE PESQUISA
Biblia sagrada
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